sexta-feira, 30 de março de 2018

O Sete 2018


Se naveguei pelos sete mares,
e te busquei no sétimo céu,
mergulhei as sete mil léguas,
e descobri um segredo para velares:
depois do sete, o infinito...

Se perdoei setenta vezes, amor
e te esperei depois de sete dias retornar
o preço cobrado em penhor
foi liquidado sem reclamar
com uma de minhas sete vidas...

Pois tudo que começa
tem seu ciclo e finda
em sete horas,
sete dias,
sete luas,
sete meses,
sete ruas,
sete versos,
sete reses...

Dividi meu coração em sete pedaços
e os enterrei em sete cantos
para que um deles, dentre tantos
encontrasse a felicidade...

Dividi a minha casa em sete cômodos
e habitei cada um com diferentes devaneios,
convivi com meus temores e anseios,
para fugir da solidão...

Dividi o romance em sete capítulos
e fiz do girassol o meu bem-me-quer,
despetalei as folhas sem restar uma sequer
e por fim não achei o bom final...

Dividi o amor em sete faces
tendo cada qual seu indizível
e esfíngico enigma a interrogar-me...
E por mais forte que me aches
abandonei a máscara invencível, 
miserável e derrotado, respondi:

- devora-me, pois já não me decifro mais...